Este texto é fruto de leituras acerca do arcabouço intelectual que gerou o Pandectismo Alemão. Entretanto não tem relação direta com o tema
Primeiramente, é interessante ressaltar que ideia de "grandes livros", "Cânone literário" ou "Clássicos" está longe de ser nova. Sem traçar as raízes dela(pode ser um tema a se estudar posteriormente), é interessante correlaciona-la com a chamada “Polyliteracy”.
Prof. Alexander Arguelles cunhou a expressão Polyliteracy (não consegui traduzir o termo) consistente no deselvovimento intelectual através do estudo metódico de diversas linguas, à maneira da Filologia Comparada(2). Esse estudo não tem aplicação prática imediata, mas apenas trazer de volta a ideia de "Homem Renascentista" em um mundo muito mais complexo do que aquele em que foi concebida. A ideia não é nova, uma vez que Wilhelm von Humboldt, pregava algo semelhante ainda em meados do século XIX.
A fragmentação do conhecimento humanístico academico é um dos principais problemas ocultos existente hoje nas ciencias humanas e sociais aplicadas(inclusive a ciência jurídica).
Conforme o Prof. Arguelles escreveu em um forum especializado:
The current academic environment as I have experienced it on four continents is not in a healthy state, even in the best of circumstances. The hard sciences may be thriving, but the humanities are quite sick, for although they are inherently interrelated, they are everywhere fragmented into slots that are specialized to a degree that defies description. Under the current system, a “scholar” is defined as an expert in the specific narrow field in which he has been specifically trained and written his dissertation. He is not allowed to step outside of that field, but must rather defend it in polemical terms using the most current theoretical jargon for politically correct causes that all too often have little if anything to do with the actual subject matter(1)
A solução dada por ele consiste no já citado estudo sistemático de um cânone literário escrito em diversas linguas. Ele é bem extenso(3), e não farei uma análise dele no presente texto, por fugir de seu escopo inicial. Apenas resalto que ele tem um caráter mais genérico, e que uma aplicação na ciência jurídica exige uma escolha própria de autores e títulos.
Tendo como base a noção de Polyliteracy, é possível inferir que o problema da segmentação excessiva do conhecimento no ensino jurídico pode ser solucionado com o estudo sistemático de um cânone humanístico (termo que inclui não só o aspecto jurídico, mas histórico,filosófico, sociológico, literário, etc.). Entretanto, ressalte-se, não quero, neste texto, rascunhar um novo modelo de ensino jurídico, apenas buscar um novo modelo de ensino jurídico para mim, em uma perspectiva autodidata.
A escolha de tal cânone envolve alguns problemas, que serão trabalhados em posts apartados, a saber:
- A escolha do método, ou um método sobre o método: A escolha dos títulos e autores de um cânone literário envolve influencias, muitas inclusive ocultas àquele que escolhe, de natureza pessoal. Basta observar as críticas feministas ao cânone literário clássico(4). Quando a elaboração do cânone é feita visando terceiros, os problemas são de ordem ética e política, pois por mais das vezes a formação do cânone vai refletir opções desta natureza. Quando o cânone é feito com intuito estritamente pessoal, o problema é de gerenciamento da ignorância (ou seja, o cânone vai ser feito por alguem que ainda não tem conhecimento adequado sobre os assuntos tratados, o que é obvio uma vez que o cânone é o meio utilizado para atingir este conhecimento).
- As necessidades da vida, que podem ser divididas em necessidades temporais, profissionais e de especialização
- Necessidades temporais: Ausência de tempo hábil para o estudo dele. É mitigada pelo caráter vitalício deste estudo, mas envolve ainda sim gerenciamento pessoal para evitar prejuízo as demais atividades
- Necessidades profissionais: O estudo jurídico envolve a memorização de conteúdos “secos”. É um erro substituir o estudo de materiais rasos pelo Cânone, que deve ser apenas auxiliar e acessório no estudo para a vida profissional.
- Especialização: ela não é de todo perniciosa, devendo ser buscada. A solução para evitar a sindrome de ganso (saber de tudo um pouco e nada direito) é orientar o cânone para um tipo de assunto específico.
Referências
- http://www.victorianweb.org/gender/canon/femcan3.html
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