sábado, 30 de abril de 2016

Sobre meu método de estudo I: introdução

Trato aqui de uma experiência estritamente pessoal. Ao longo da minha vida acadêmica, sempre nutri grande rejeição aos métodos tradicionais de estudo. Afinal, apesar de muitos afirmarem o oposto, a aula expositiva nunca foi uma forma adequada de ensino. Não obstante, num contexto de massificação da educação, é inegável que a sua adoção representou uma forma de contenção de gastos e nivelamento dos estudantes.

Me entristece ver que enquanto outros países tem discussões sérias acerca de reformas na educação, o Brasil permanece estagnado em discursos antiquados. Sim, há pouco investimento em educação, mas não vejo como 10% do PIB vai melhorar um sistema falho como o nosso. Partindo do paradigma americano – que confesso conhecer  melhor que qualquer outro – observa-se a adoção não tão recente de sistemas de ensino mais eficazes em nível universitário, nas mais diversas disciplinas, tal qual Direito (Casebook method), Medicina (Problem-based learning) e Administração (Problem-based learning).

Adoraria dizer que o debate acerca de tais temas nas universidades brasileiras está estagnado, mas como um debate que sequer existe pode estar estagnado?

Assim, em 2013 comecei a pesquisar sobre formas mais eficientes de estudo. Inicialmente, me deparei com uma literatura basicamente inexistente a esse respeito no Brasil – não se faz muita pesquisa em nível acadêmico a respeito de problemas primários como estes em nosso país, infelizmente. Sim, Paulo Freire  é um grande autor e tem muitas boas ideias, mas limitar-se ao seu paradigma não faz de ninguém um bom autor, tampouco torna automaticamente boas as ideias decorrentes disso.

Logo, por uma limitação de ordem linguística, tive que procurar literatura em língua inglesa a respeito de um tema que sequer sabia delimitar ao certo: como estudar mais e melhor.

Abro um parentese para tratar de uma questão metodológica. Karl Popper há muito me ensinou sobre os cuidados que devo ter com o verificacionismo, afinal, o fato de eu sempre ver cisnes brancos não significa que cisnes negros não existam. Desta forma, criei o hábito de questionar a metodologia e os pressupostos de tudo que lia a respeito, o que me afastou de muitas concepções errôneas.

Com efeito, após esta pesquisa eu elaborei um método próprio de estudos ainda em 2013, com fulcro em dois fenômenos estudados mais na seara da neurociência do que da própria pedagogia: o “active recall” e o “spacing effect”. A referencia aos termos em Inglês não é em vão, há pouquíssima literatura a respeito disso em língua portuguesa.

Tenho dois motivos para dissertar sobre o tema atualmente: a) um egoístico, pois preciso revisar meus próprios métodos e rever uma pesquisa que encerrei há quase três anos me ajudará a fazer isso; b) outro altruístico, visto que se a minha explanação auxiliar os estudos de uma única pessoa, já me darei por satisfeito.

Posta-los no meu blog-caderneta é necessário, uma vez que o facebook torna qualquer conteúdo descartável e obsoleto no fundo de uma timeline em questão de horas. Por outro lado, colocá-lo naquela caderneta online permitirá alguém que pesquise sobre “active recall” ou “spacing effect” no google em língua portuguesa acessar meu blog a qualquer tempo.

Por fim, não discutirei no presente texto os temas que aludi, que serão objeto de tratamento próprio em outros tantos textos. Essa postagem é apenas um breve apontamento e postá-la me dá um motivo para não ter preguiça e escrever algo relevante sobre essas questões.


Por último, deixo o link de um paper, publicado no Journal of Experimental Psychology que analisa a eficácia do método que emprego em minhas apostilinhas pergunta-resposta que costumo passar as manhãs revisando: https://ashleyonteaching.files.wordpress.com/2011/04/repeated-testing-produces-superior-transfer-of-learning-relative.pdf 

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