Trato aqui de uma experiência estritamente pessoal. Ao longo
da minha vida acadêmica, sempre nutri grande rejeição aos métodos tradicionais
de estudo. Afinal, apesar de muitos afirmarem o oposto, a aula expositiva nunca
foi uma forma adequada de ensino. Não obstante, num contexto de massificação da
educação, é inegável que a sua adoção representou uma forma de contenção de gastos e
nivelamento dos estudantes.
Me entristece ver que enquanto outros países tem discussões
sérias acerca de reformas na educação, o Brasil permanece estagnado em
discursos antiquados. Sim, há pouco investimento em educação, mas não vejo como
10% do PIB vai melhorar um sistema falho como o nosso. Partindo do paradigma
americano – que confesso conhecer melhor
que qualquer outro – observa-se a adoção não tão recente de sistemas de ensino
mais eficazes em nível universitário, nas mais diversas disciplinas, tal qual
Direito (Casebook method), Medicina (Problem-based learning) e Administração (Problem-based
learning).
Adoraria dizer que o debate acerca de tais temas nas
universidades brasileiras está estagnado, mas como um debate que sequer existe
pode estar estagnado?
Assim, em 2013 comecei a pesquisar sobre formas mais
eficientes de estudo. Inicialmente, me deparei com uma literatura basicamente
inexistente a esse respeito no Brasil – não se faz muita pesquisa em nível
acadêmico a respeito de problemas primários como estes em nosso país,
infelizmente. Sim, Paulo Freire é um
grande autor e tem muitas boas ideias, mas limitar-se ao seu paradigma não faz
de ninguém um bom autor, tampouco torna automaticamente boas as ideias
decorrentes disso.
Logo, por uma limitação de ordem linguística, tive que
procurar literatura em língua inglesa a respeito de um tema que sequer sabia
delimitar ao certo: como estudar mais e melhor.
Abro um parentese para tratar de uma questão metodológica.
Karl Popper há muito me ensinou sobre os cuidados que devo ter com o
verificacionismo, afinal, o fato de eu sempre ver cisnes brancos não significa
que cisnes negros não existam. Desta forma, criei o hábito de questionar a
metodologia e os pressupostos de tudo que lia a respeito, o que me afastou de
muitas concepções errôneas.
Com efeito, após esta pesquisa eu elaborei um método próprio
de estudos ainda em 2013, com fulcro em dois fenômenos estudados mais na seara
da neurociência do que da própria pedagogia: o “active recall” e o “spacing
effect”. A referencia aos termos em Inglês não é em vão, há pouquíssima
literatura a respeito disso em língua portuguesa.
Tenho dois motivos para dissertar sobre o tema atualmente:
a) um egoístico, pois preciso revisar meus próprios métodos e rever uma
pesquisa que encerrei há quase três anos me ajudará a fazer isso; b) outro
altruístico, visto que se a minha explanação auxiliar os estudos de uma única
pessoa, já me darei por satisfeito.
Posta-los no meu blog-caderneta é necessário, uma vez que o
facebook torna qualquer conteúdo descartável e obsoleto no fundo de uma timeline
em questão de horas. Por outro lado, colocá-lo naquela caderneta online
permitirá alguém que pesquise sobre “active recall” ou “spacing effect” no
google em língua portuguesa acessar meu blog a qualquer tempo.
Por fim, não discutirei no presente texto os temas que
aludi, que serão objeto de tratamento próprio em outros tantos textos. Essa
postagem é apenas um breve apontamento e postá-la me dá um motivo para não ter
preguiça e escrever algo relevante sobre essas questões.
Por último, deixo o link de um paper, publicado no Journal
of Experimental Psychology que analisa a eficácia do método que emprego em
minhas apostilinhas pergunta-resposta que costumo passar as manhãs revisando: https://ashleyonteaching.files.wordpress.com/2011/04/repeated-testing-produces-superior-transfer-of-learning-relative.pdf